Câncer do colo do útero: por que ele ainda mata mulheres jovens? - Nancy & Gasparini

Câncer do colo do útero: por que ele ainda mata mulheres jovens?

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O câncer do colo do útero é um dos tipos de câncer mais preveníveis que existem. Ele tem causa principal conhecida, rastreamento gratuito pelo SUS, tratamento eficaz quando diagnosticado cedo e vacina altamente eficiente disponível já na infância e adolescência. Ainda assim, continua tirando a vida de milhares de mulheres brasileiras, inclusive mulheres jovens, muitas abaixo dos 35 anos.

Por que isso acontece? A resposta envolve uma combinação de fatores sociais, culturais, estruturais e comportamentais que, juntos, criam barreiras para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.

O papel do HPV

De acordo com dados do Ministério de Saúde, mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero estão relacionados à infecção persistente pelo HPV, o Papilomavírus Humano. Ele é extremamente comum: a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Na maioria dos casos, o corpo elimina o HPV sozinho.

O problema surge quando a infecção persiste, especialmente pelos tipos 16 e 18, que têm alto potencial de provocar lesões pré-cancerígenas. Essas lesões evoluem lentamente, geralmente ao longo de 10 a 20 anos, o que teoricamente daria tempo suficiente para detectar e tratar antes de virar câncer.

Mas a informação sobre o HPV ainda não chega como deveria às jovens. Muitas não sabem que o vírus é transmitido pelo contato sexual e que o uso do preservativo não reduz totalmente o risco. Além disso, outra informação importante é que os adolescentes têm acesso à vacina gratuitamente.

Esse desconhecimento é um dos motivos centrais pelos quais tantos casos avançam silenciosamente.

Cobertura baixa da vacina contra o HPV

A vacina contra o HPV é segura, eficaz e recomendada no mundo inteiro. No Brasil, está disponível no SUS para meninas e meninos dos 9 aos 14 anos, além de grupos especiais.

No entanto, a cobertura vacinal está abaixo do ideal em muitas regiões. Para que a população esteja protegida, seria necessário atingir taxas acima de 90%. Nos últimos anos, algumas cidades registraram índices bem menores.

O resultado é que meninas e meninos entram na adolescência, período de maior risco de infecção por HPV, sem proteção adequada.

O exame preventivo, conhecido como Papanicolau, poderia impedir a maioria dos casos de câncer do colo do útero. Mas muitas mulheres jovens não fazem o exame na frequência recomendada (a cada três anos após dois resultados normais consecutivos).

Para muitas jovens, especialmente entre 20 e 30 anos, o exame ginecológico ainda é um tabu. Há insegurança, timidez e falta de acolhimento em alguns atendimentos.

Algumas acreditam que o exame só é necessário após os 30 anos, outras acham que, se não têm sintomas, está tudo bem.

Além disso, trabalho, estudo, filhos e falta de tempo, especialmente entre mulheres que precisam conciliar múltiplas jornadas, fazem com que o exame seja adiado continuamente.

Em algumas regiões, marcar consulta no SUS é difícil, e muitas mulheres não conseguem encaixar o exame no dia a dia.

A verdade é que essa combinação leva ao diagnóstico tardio, quando o câncer já está em fase avançada, exigindo tratamentos invasivos e com menor chance de cura.

Sintomas tardios do câncer de colo de útero

Outro ponto crítico é que o câncer do colo do útero costuma ser silencioso. Nos estágios iniciais, ele raramente provoca sintomas. Por isso, muitas jovens acreditam que “se não está doendo, está tudo bem”.

Quando os sinais finalmente aparecem, geralmente já indicam evolução:

  • sangramento após a relação sexual;

  • corrimento com odor forte;

  • dor pélvica;

  • sangramento irregular;

  • Sensação de peso ou desconforto ao urinar.

    Nessa fase, o câncer pode ter avançado para tecidos próximos, exigindo tratamentos mais agressivos como quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.

    Impacto psicológico do câncer de colo de útero

    Ainda existe um forte tabu envolvido nas doenças sexualmente transmissíveis. Muitas mulheres sentem vergonha, medo de julgamento e até culpa quando recebem um diagnóstico de HPV ou cândidas precursoras de câncer. Isso pode levar à ocultação dos sintomas, abandono do acompanhamento médico e atraso no tratamento.

    Além disso, jovens que enfrentam o diagnóstico de câncer têm de lidar com temas delicados como fertilidade, sexualidade e vida futura, muitas vezes sem apoio emocional adequado.

    Por que o câncer do colo do útero ainda mata mulheres jovens?

    Existem muitas razões para que o câncer de colo do útero seja mais fatal em mulheres jovens. Isso acontece por diversas razões, como a falta de cobertura ideal e a falta de realização de exames preventivos com frequência.

    Outro ponto é que o diagnóstico é tardio e a informação não chega de forma clara e acessível às mulheres mais jovens.

    Mesmo sendo uma doença evitável, ela continua sendo a quarta causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil e atinge cada vez mais jovens que poderiam estar completamente protegidas.

    Considerações finais

    O câncer do colo do útero não deveria ser uma sentença. Com vacina, rastreamento regular e informação acessível, ele é altamente prevenível e tratável. No entanto, fatores sociais, emocionais e estruturais ainda impedem muitas jovens de receberem o cuidado necessário.

    Falar sobre o assunto, orientar, acolher e promover campanhas de conscientização é urgente. Cada exame feito, cada vacina aplicada e cada informação compartilhada podem significar uma vida salva.

    Se você é mulher, jovem ou não, coloque sua saúde em primeiro lugar. E se você tem crianças ou adolescentes na família, incentive a vacinação. A prevenção começa agora e faz toda a diferença.

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    Por Bartira Araújo em 28/11/2025