Amamentação dói? Quando é hora de investigar com exames de imagem? - Nancy & Gasparini

Amamentação dói? Quando é hora de investigar com exames de imagem?

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A amamentação é um momento de vínculo profundo entre mãe e bebê, mas também pode vir acompanhada de dúvidas e desconfortos. Muitas mulheres relatam dor ao amamentar, principalmente nas primeiras semanas, e se perguntam: até que ponto isso é normal? Será que toda dor é esperada? Quando é hora de procurar ajuda médica e até mesmo recorrer a exames de imagem para investigar a causa? 

Neste artigo, falaremos sobre essas questões, mostrando as situações em que a dor faz parte do processo de adaptação e aquelas em que ela pode indicar um problema que merece atenção. Para saber mais, continue a leitura! 

É normal sentir dor ao após a amamentação? 

Nos primeiros dias de amamentação, é comum a mulher sentir uma sensibilidade maior nos seios e nos mamilos. Afinal, o corpo está se adaptando à produção de leite, os mamilos podem ficar mais sensíveis pelo atrito, e a pega do bebê ainda pode não estar perfeita. 

Essa dor inicial costuma ser passageira e melhora à medida que mãe e bebê se adaptam. No entanto, dor intensa, persistente ou que piora com o tempo não deve ser considerada normal. Esse é um sinal de alerta que pode indicar desde problemas de pega até complicações mais sérias, como infecções mamárias.

Principais causas de dor na amamentação 

Existem diferentes motivos pelos quais a amamentação pode doer. Conhecer essas causas ajuda a diferenciar o que é esperado do que precisa de investigação:

Pega incorreta

Quando o bebê não abocanha corretamente a aréola, há maior atrito no mamilo, o que causa fissuras, sangramentos e dor. 

Os principais sinais são: dor logo no início da mamada, mamilo machucado, bebê que não ganha peso adequadamente. A principal solução para isso é a orientação de um profissional de saúde para corrigir a pega.

Ingurgitamento mamário

Já o ingurgitamento mamário é o excesso de leite acumulado, deixando a mama dura, quente e dolorida. Neste caso, os sinais do problema são as mamas inchadas e dificuldade de sucção por parte do bebê. 

Para solucionar o problema, é preciso fazer ordenha manual, compressas mornas antes e frias após a amamentação.

Mastite na amamentação

Infecção da mama que pode evoluir de forma rápida. Quando há suspeita de mastite, há a necessidade de avaliação médica imediata. Dentre os principais sintomas estão: dor intensa, vermelhidão, febre e mal-estar.

Abscesso mamário

Quando a mulher passa por uma mastite, pode haver complicações quando há acúmulo de pus na mama. Com isso, a paciente pode apresentar nódulos dolorosos, calor na região e febre persistente. 

Na maioria dos casos, exige investigação com exame de imagem (ultrassonografia).

Candidíase mamária após amamentação

Infecção fúngica que pode causar dor em queimação e sensibilidade extrema. Dentre os principais sinais estão: dor que continua mesmo após a mamada, mamilos rosados e brilhantes.

Ductos lactíferos obstruídos

Ductos lactíferos obstruídos ou leite empedrado em um canal é um processo que causa dor localizada e nódulo palpável. Vale destacar que pode evoluir para mastite se não tratado. 

Quando a dor merece investigação médica? 

É fundamental que a mãe saiba diferenciar entre desconfortos passageiros e dores que exigem avaliação profissional. 

Deve-se procurar atendimento médico quando: 

  • A dor persiste mesmo após ajuste da pega. 

  • Há vermelhidão, calor e endurecimento da mama. 

  • Surge febre, calafrios e mal-estar. 

  • O bebê tem dificuldade em sugar ou não está ganhando peso. 

  • Há secreção purulenta, fissuras profundas ou sangramento intenso. 

    Nesses casos, o médico pode solicitar exames complementares para entender melhor o que está acontecendo.

    Exames de imagem na investigação de dor durante a amamentação 

    A depender do quadro clínico, o médico pode recorrer a exames de imagem para avaliar complicações. Os principais são:

    Ultrassonografia das mamas

    É o exame mais indicado durante a lactação, por não usar radiação e oferecer excelente avaliação das estruturas mamárias. Permite identificar abscessos, obstruções de ductos, inflamações e até descartar lesões suspeitas. 

    É rápido, indolor e seguro para mãe e bebê.

    Mamografia

    A mamografia pode ser realizada, mas não é o exame de primeira escolha durante a amamentação devido à densidade do tecido mamário, que dificulta a visualização. É indicada em casos específicos, principalmente quando há suspeita de lesão tumoral.

    Ressonância magnética

    Já a ressonância magnética é raramente utilizada, mas pode ser necessária em casos complexos, como investigação de câncer de mama em lactantes. 

    Câncer de mama durante a amamentação: é possível? 

    Sim, embora raro, o câncer de mama pode ser diagnosticado no período de lactação. Por isso, toda alteração suspeita, como nódulos persistentes e dolorosos que não melhoram com tratamento, deve ser investigada. 

    A ultrassonografia é o primeiro passo, mas a depender do achado, pode ser necessária biópsia para esclarecer o diagnóstico. 

    Acompanhamento médico na amamentação 

    A dor não deve ser encarada como parte natural da amamentação. Profissionais de saúde, pediatras, ginecologistas, obstetras e consultores de amamentação, podem orientar a correção da pega, ensinar técnicas de ordenha, indicar tratamentos adequados e, se necessário, solicitar exames de imagem. 

    Quanto mais cedo a mãe procurar ajuda, maior a chance de resolver o problema sem complicações. 

    Como prevenir dores durante a amamentação? 

    Algumas medidas simples podem reduzir os riscos de dor: 

  • Garantir que o bebê faça a pega correta. 

  • Amamentar em posição confortável, variando posturas. 

  • Evitar lavar excessivamente os seios, que resseca a pele. 

  • Usar sutiãs de sustentação adequados. 

  • Tratar fissuras iniciais com orientação médica, antes que evoluam. 

    Essas ações podem ajudar a evitar maiores problemas com a amamentação, fazendo com que seja um processo agradável. 

    Considerações finais 

    Amamentar pode causar algum desconforto no início, mas dor intensa, persistente ou acompanhada de sinais de infecção não é normal. Nessas situações, procurar ajuda médica é fundamental. 

    O exame de imagem mais utilizado e seguro para investigar problemas durante a amamentação é a ultrassonografia, capaz de identificar complicações como abscessos, ductos obstruídos e até descartar doenças mais graves. 

    Assim, a mensagem principal é: não normalize a dor. Amamentar deve ser um momento de prazer e conexão com o bebê, e buscar apoio especializado pode fazer toda a diferença na saúde da mãe e no sucesso da amamentação. 

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    Por Bartira Araújo em 26/08/2025